Não há na vida mais puro deleite
Do que retirar a casca e a semente
E expor-se apenas ao liquído ardente
Inteiramente nu e desprovido de enfeite.
Como o sumo amarelo e denso o leite
Do fruto da paixão tão envolvente
Sem qualquer semente e abertamente
Sem casca ou continente que o estreite.
Livre e pueril o fruto desse instante
De um gosto azedo e doce, e varonil
O sumo a jorrar como em um rompante.
Tão forte e de um amarelo febril
Concentrado e tão mais instigante
E apaixonadamente juvenil.
Obra: Abrãao e as frutas
Autora: Luciana P. V. de Mendonça
Adorei esse poema com gostinho de maracujá!engraçado como a descrição de uma fruta se confunde (se parece) com a de uma vida, uma realidade, enfim…(pensativa)