A fazenda estampada que reveste o peito, não mais tocado, está pra se romper.
Não mais por conta das batidas aceleradas de ansiedade, que a felicitavam na última primavera, mas por estar inchado de tantos beliscões que tem tomado.
A fazenda estampada que reveste o peito, não mais tocado, está pra se romper.
Não mais por conta das batidas aceleradas de ansiedade, que a felicitavam na última primavera, mas por estar inchado de tantos beliscões que tem tomado.
De segunda a sexta-feira
A parte que vale a pena
Se inicia as seis da tarde.
Depois de adestrado e enlatado
O Banho e o jantar.
O céu vem a mais de quinze anos
Com a malícia de um mesmo olhar.
Em meio a lençóis e o frescor do cangote
A paz eterna dura 30 minutos.
Os pés sobre o chão são talvez uma das poucas coisas, que compartilham com os tempos de outrora.
Outrora… Como se fizesse tanto tempo.
E as expectativa do acordar, de que as imagens que os olhos esperam ao se abrirem sejam extensão do sonho diário de lembranças, se esvaem com o aproximar a uma fresta entre os remendos do barraco.
No lugar da estrada de chão batido, um negro pedregulho comprimido; onde deveriam ser as lavouras da família, espessas camadas de concreto; no lugar do nascer do sol, prédios.
Pela fresta, também se via, os passos curtos do pai, que em lugar de carregar sobre os ombros a enxada, que alimentava toda família, carregava agora um número pesado de vassouras de palha, que na maioria das vezes voltavam intactas. A mãe, ainda com a mão estendida, em um misto de benção com despedida, não escondia a aflição de que aquele gesto pudesse significar um adeus.
Embora toda essa atmosfera matutina, que faz o peito apertar com as saudades e mais ainda, com as lembranças do dia em que foram expulsos do paraíso, após o café ralo, os pés descalços nunca tornaram lembranças os passos das brincadeiras infantis, que tomavam a cabeça, traziam as gargalhadas e enganavam o estômago até o meio-dia.
Tainá Jara
Tainá Jara
Apesar de estar habituada em ver nas páginas de revistas e jornais, os textos de meus futuros colegas de profissão dividindo espaço com um número bem considerável de anúncios publicitários, não costumo interagir, com esses, de forma que vá além da passagem superficial de olhos. Já que, em certos períodos da minha curta vida perdi minutos preciosos lendo campanhas que eu me negava a acreditar que haviam sido produzidas por indivíduos que passaram pelos menos quatro anos em um banco de universidade.
Porém desde 2007 desenvolvi um certo apreço pelas campanhas da marca Arezzo, que para o verão daquele ano desenvolveu uma série de fotografias da atriz Juliana Paes, com um figurino todo pin-up verão dos anos 60. Além de gostar de coisas retro, achei o máximo selecionarem uma artista com tantos atributos estéticos que reflete a mistura étnica das mulheres brasileiras.
Para o inverno de 2009 a Arezzo ousou de forma sutil, já que o ensaio, que contou com a atrizes Cléo Pires e, novamente, Juliana Paes, mostrou a dupla em poses para lá de sensuais, e olha que nem era uma campanha de produtos masculinos.
Neste ano a marca lançou a campanha Arezzo Alto Astral Alto Verão Alto Brasil 2010, e seguiu a risca o seu título na hora da produção, já que selecionou como modelos para o ensaio humoristas, que segundo o próprio fotógrafo Gui Paganini, que já havia sido o responsável pelas imagens da campanha anterior, são “seis mulheres que têm a cara do Brasil”. As tais provocadoras de intensas risadas são as atrizes: Andréa Beltrão, Fernanda Torres, Katiuscia Canoro, Maria Paula, Marisa Orth e Regina Casé, que desempenharam o papel de modelos de forma tão digna de elogios, quanto seus papéis cômicos.
É muito gratificante ver que a cabeça da publicidade, vem aos poucos modificante sua mentalidade com relação à imagem da mulher, embora seja feita com o principal objetivo de vender, é indiscutível o poder que ela pode ter com relação a mudança de conceitos estéticos, inclusive ensinando as mulheres brasileiras a assumir sua identidade nacional.
Tainá Jara
Não há na vida mais puro deleite
Do que retirar a casca e a semente
E expor-se apenas ao liquído ardente
Inteiramente nu e desprovido de enfeite.
Como o sumo amarelo e denso o leite
Do fruto da paixão tão envolvente
Sem qualquer semente e abertamente
Sem casca ou continente que o estreite.
Livre e pueril o fruto desse instante
De um gosto azedo e doce, e varonil
O sumo a jorrar como em um rompante.
Tão forte e de um amarelo febril
Concentrado e tão mais instigante
E apaixonadamente juvenil.
Obra: Abrãao e as frutas
Autora: Luciana P. V. de Mendonça
E na linha cronológica do Chico fui do Eu Te Amo para Olhos nos Olhos. Agora voltei ao Eu Te amo e estou desconfiada de que não tem nada de cronológico, é ciclo. Estou torcendo para não demorar muito para Olho nos Olhos.
Eu Te Amo
Chico Buarque
Ah, se já perdemos a noção da hora!
Se juntos já jogamos tudo fora,
me conta agora como hei de partir!
Ah! Se, ao te conhecer, dei pra sonhar,
fiz tantos desvarios,
rompi com o mundo, queimei meus navios…
me diz pra onde é que inda posso ir?
Se nós, nas travessuras das noites eternas,
já confundimos tanto as nossas pernas,
diz com que pernas eu devo seguir!…
Se entornaste a nossa sorte pelo chão,
se, na bagunça do teu coração,
meu sangue errou de veias e se perdeu…
Como? Se na desordem do armário embutido
meu paletó enlaça o teu vestido
e o meu sapato ainda pisa no teu…
Como? Se nos amamos feito dois pagãos,
teus seios ainda estão nas minhas mãos
me explica com que cara eu vou sair…
Não, acho que estás te fazendo de tonta,
te dei meus olhos pra tomares conta,
agora conta como hei de partir…
Olhos nos olhos
Chico Buarque
Quando você me deixou, meu bem
Me disse pra ser feliz e passar bem
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci
Mas depois, como era de costume, obedeci
Quando você me quiser rever
Já vai me encontrar refeita, pode crer
Olhos no olhos, quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você passo bem demais
E que venho até remoçando
Me pego cantando
Sem mais nem porquê
E tantas águas rolaram
Quantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você
Quando talvez precisar de mim
‘Ce sabe a casa é sempre sua, venha sim
Olhos nos olhos, quero ver o que você diz
Quero ver como suporta me ver tão feliz

Não se pode negar que, embora a banda Los Hermanos já tenha “acabado”, deixou um legado discográfico bem peculiar para a música brasileira.
Entre o rock vibrante do disco homônimo de 1999, até a suavidade de “4″, o último em estúdio, rolou muito desapego crítico, experimento e desenvolvimento musical.
Completa, neste ano, dez anos de gravação o primeiro disco; é dele que eu venho dar um parecer.
Amo todas as gravações desses cariocas, mas o Los Hermanos – 1999, faz meu coração dar aquela coisa, além de ser o mais pesado, o que acaba agradando minha forte veia rock’n'roll. Apesar dos fãs mais fervorosos, o desconsiderarem um pouco, devido ao fato de ter sido o mais vendido e ser composto pelo eterno hit, “Anna Júlia”.
Com letras que remetem a um espécie de ultra-romantismo em contraposição as guitarras um tanto quanto pesadas, o inteiro do disco se torna um pouco difícil de rotular, característica que acabou marcando a própria banda, não só nos álbuns.
Rapidez, revolta, romantismo: são algumas coisas que se sentem do primogênito dos Los Hermanos.
E alimentando meu feminismo, podemos dizer que o tal, não deixa de ser uma verdadeira prova de que os homens não vivem sem as mulheres, mesmo com todos os infortúnios, que às vezes elas trazem.
Cheia de rascunhos, mas mais uma vez a auto-exigência não permite que a Habitante termine o que tem para dizer. Na verdade ela está sentindo meio inacabada, viu que não é perita em nada, isso a deixou meio frustrada.
Então deixou a função de tocar a alma com palavras, para quem já é considerado especialista.
Há certas horas, em que não precisamos de um Amor…
Não precisamos da paixão desmedida…
Não queremos beijo na boca…
E nem corpos a se encontrar na maciez de uma cama…
Há certas horas, que só queremos a mão no ombro, o abraço apertado ou mesmo o estar ali, quietinho, ao lado…
Sem nada dizer…
Há certas horas, quando sentimos que estamos pra chorar, que desejamos uma presença amiga, a nos ouvir paciente, a brincar com a gente, a nos fazer sorrir…
Alguém que ria de nossas piadas sem graça…
Que ache nossas tristezas as maiores do mundo…
Que nos teça elogios sem fim…
E que apesar de todas essas mentiras úteis, nos seja de uma sinceridade
inquestionável…
Que nos mande calar a boca ou nos evite um gesto impensado…
Alguém que nos possa dizer:
Acho que você está errado, mas estou do seu lado…
Ou alguém que apenas diga:
Sou seu amor! E estou Aqui!’
(William Shakespeare.)
O blog está praticamente abandonado, tanto pelo o autor quanto pelos leitores. Mas sabe, tem justificativa da parte do autor.
Ultimamente tenho sentido meu cerébro atrofiado para dar a luz. Só quero pensar em ouvir Dylan e Bowie e ler as aventuras do héroi de um passado recente.
Inicialmente assustei com essa relaxamento, que confesso, não é muito comum em se tratando da habitante aquí. Mas depois de muita reflexão e auto-flagelamento interno, decide que isso não é ruim.
Só estou levando, um pouco, em conta os meus desejos presentes, afinal, que pecado tem em deixar o futuro de lado, por uma boa parte do dia?
“É a meta de uma seta no alvo
Mas o alvo, na certa, não te espera
Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada
Quando se parte rumo ao nada?”
Paulinho Moska